Manoel Alves Parreira Neto, o Mané            

             O recém-formado Manoel Alves Parreira Neto, o Mané, acaba de ser aprovado no concurso da Petrobras que esse ano abriu 38 vagas para Relações Públicas. Com 22 anos ele desbancou cerca de 4130 inscritos e conquistou a 19ª colocação no concurso! Além de ser um orgulho para os amigos e professores, Mané demonstra que a UEL tem formado profissionais qualificados. E já que essa conquista foi motivo de muitos comentários pelo Escritório de RP, nós do Eventuel resolvemos entrevistar o Mané para saber mais sobre seu futuro.

 Eventuel: Primeiramente, Parabéns pelo sucesso no concurso.

Mané: Obrigado. Estou esperando companhia do pessoal da UEL nos próximos.

 Eventuel: Como você se sente por ingressar em uma empresa desse porte e que valoriza tanto a atividade de Relações Públicas? Quais são suas expectativas?

Mané: Bom... é uma conquista pessoal, afinal o grau de dificuldade é elevado e todos os concorrentes são competentes. Para mim, entrar na Petrobras com apenas 22 anos é excelente com relação ao aprendizado que terei na minha área de formação e também com relação ao meu crescimento como Relações Públicas. O fato da Petrobras valorizar tanto esta atividade significa "carta branca" para colocar em prática ações que revertam em benefícios tanto para a organização quanto para seus públicos. Tenho a expectativa de fazer carreira nesta organização, trocar experiências com outros profissionais e aproveitar o incentivo que eles oferecem para continuar estudando.

 Eventuel: O que mais te atraiu para prestar esse concurso? A oportunidade de trabalhar numa empresa de grande porte, a estabilidade financeira ou algum outro interesse?

Mané: Na verdade, fui atraído não pelo fator "estabilidade" ou mesmo pelo porte desta empresa, mas justamente pelo histórico de valorização interna das atividades de comunicação em geral. A atividade de Relações Públicas ainda encontra, em número considerável de empresas, dificuldades para "vender seu peixe" e obter um espaço adequado para implementar suas estratégias. Em uma empresa como a Petrobras existe tal abertura, além de organização e equipes de trabalho.

 Eventuel: Qual é o próximo passo? Você já sabe pra qual cidade se mudará? Mané: Durante a inscrição para o concurso pude verificar a existência apenas da opção "nacional" como pólo de trabalho, ou seja, ficar à disposição da Petrobras. Entretanto, creio que serei enviado para o Rio de Janeiro ou Vitória, pois, pelas informações que obtive, no Rio encontra-se a atual sede e em Vitória está em fase de finalização a nova sede. Em uma empresa deste porte é simplesmente impossível "colocar a mão na massa" logo após assumir o cargo. Primeiramente, é necessário passar por um período de treinamento e adaptação à sistemática de trabalho, de forma a desenvolver uma visão global do negócio que, inclusive, é essencial para o bom desempenho das atividades de comunicação.

 

Eventuel: Você já sabe em que área vai atuar? Como isso é definido?

Mané: Realmente não existe conhecimento prévio da área de atuação. Acredito que os responsáveis pela área de recrutamento e treinamento de pessoal tenham critérios para identificar as "competências" de cada funcionário, visando extrair o máximo deste com relação ao desempenho em suas tarefas. Em contrapartida, vai do funcionário a iniciativa de demonstrar seu interesse em atuar em determinada área, seja durante uma entrevista ou propondo projetos. Por exemplo: Eu passarei por uma entrevista de admissão na qual, certamente, serei questionado sobre meus objetivos em curto e médio prazo. Neste momento, posso destacar minha disposição em realizar uma pós e/ou mestrado/doutorado em determinada área, dando a entender o meu interesse em trabalhar com comunicação interna ou responsabilidade social, por exemplo.

              Eventuel: Quais conhecimentos adquiridos na UEL foram decisivos para sua aprovação nesse concurso? O que você acredita que tenha sido deficiente na sua graduação?

Mané: Olha, embora todo aluno sempre questione a qualidade do curso (e particularmente considero isso natural), penso que o curso de Relações Públicas é bastante sólido quanto ao ensino. Para mim, a principal deficiência da graduação em RP é a perda de tempo em disciplinas introdutórias que, muitas vezes, não acrescentam conhecimentos de ordem prática ou reflexiva, passando a impressão de apenas preencherem a grade. Há disciplinas bem organizadas e ofertadas por docentes capacitados, mas existem outras descartáveis e coordenadas por professores que desconhecem o significado da própria profissão. Eu cito: sociologia geral; realidade socioeconômica e política brasileira; língua portuguesa; filosofia; economia e teoria política... e outras de caráter introdutório. Elas deveriam ser substituídas ou reformuladas, pois é inadmissível um docente chegar à sala, sentar-se e dizer: "olha, não sei o que estou fazendo aqui", como já aconteceu. Metade do primeiro ano passa em branco para a maioria dos alunos e, talvez por conta deste mau aproveitamento com relação a escolha de disciplinas, haja tanta desistência neste período. Menor número de disciplinas mais aprofundadas é melhor que muitas disciplinas pinceladas.

 Eventuel: Você se sente preparado para as exigências desse trabalho?  

Mané: Olha, eu sinto que quanto ao conhecimento teórico posso ficar relativamente tranqüilo e isso é um reflexo da forma como encarei a universidade. Quanto à prática, minha principal preparação foi o próprio TCC, pois segui à risca o processo de Relações Públicas e busquei desenvolver na Artenge Construções Civis um trabalho sólido. Obviamente, a experiência é adquirida com o tempo e estarei totalmente sujeito a cometer erros... De qualquer forma, a responsabilidade de capacitação para o mercado de trabalho não constitui um papel apenas da universidade, ou seja, não basta o aluno permanecer como um ouvinte, reclamar dos "pontos" que não funcionam e querer aprender por osmose. É importante a iniciativa dos discentes em participar de projetos de extensão, fazer disciplinas eletivas, buscar estágios...

 Eventuel: Lembrando da sua graduação defina, em uma palavra, que tipo de aluno você considera que foi?

Mané: Disciplinado.

 Eventuel: Você pretende continuar estudando? Pensa em fazer uma especialização ou uma pós? Se sim, em que área?

Mané: Pretendo fazer especialização em "responsabilidade social" e mestrado/doutorado voltados ao estudo da "cultura organizacional".

 Eventuel: Se você pudesse dar algum conselho para os colegas que querem ter sucesso como você nesse concurso ou em outros, o que você diria?

Mané: Primeiro, é necessário estabelecer um foco, ou seja, estudar para 3, 4 ou 5 concursos ao mesmo tempo dificilmente trará bons resultados porque o conteúdo programático sempre é diferente. Segundo, é necessário organizar um cronograma de estudos e cumpri-lo, dando atenção às disciplinas que você compreende menos. Por último, é importante baixar da internet provas (seja da área de Relações Públicas ou não) feitas pela organizadora do concurso, com o objetivo de adaptar-se ao "estilo" das questões. Eu estudei para o concurso da Petrobras durante 40 ou 45 dias.

 Eventuel: Você acredita que dentro dessa empresa, você poderá exercer plenamente a atividade de Relações Públicas?

Mané: Obviamente, existe um limite quanto à liberdade para desenvolver uma atividade dentro de qualquer empresa, limite este pautado pela hierarquia interna, pelas relações de poder e pelos interesses presentes no ambiente de negócios. O importante é sempre tentar ganhar espaço de maneira gradativa por meio de um trabalho consistente na área de atuação.

 Eventuel: De maneira geral, como você vê a profissão no futuro?

Mané: Olha, acredito que a atividade de Relações Públicas tende a ganhar em visibilidade, pois as empresas já despertaram para a importância de ter profissionais que gerenciem a natureza do relacionamento com os grupos de influência, visando desenvolver uma reputação positiva perante tais grupos.

 

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