Vinícius Kuromoto, Pre

O ex-aluno da UEL, Vinícius Kuromoto, o Pre, se formou em Relações Públicas no ano de 2007. Seu trabalho de conclusão de curso tratou da popularização do time local de Handebol na cidade de Londrina, utilizando o marketing esportivo. Atualmente, está matriculado em três cursos de pós-graduação, sendo que um deles é sobre marketing esportivo. Nós, da Eventuel, decidimos entrevistar o Pre para que ele fale um pouco sobre esta área que está em plena ascensão.

 Eventuel: Pre, primeiramente, obrigado por nos conceder esta entrevista, pois sabemos que você é bastante ocupado com seu emprego e suas três pós-graduações. Poderia nos falar um pouco sobre este novo ritmo?

Pre: Bom, gostaria de agradecer a lembrança e dizer que é sempre um prazer poder ajudar e compartilhar experiências com o pessoal do curso de relações públicas da UEL, universidade que eu tanto admiro. Como foi citado por vocês, no momento curso 3 pós graduações: Gestão Empresarial na FECEA/INBRAPE, Marketing na PUC-PR e Gestão e Marketing Esportivo no Instituto Wanderley Luxemburgo em Maringá. O ritmo tem sido alucinante, estudo praticamente todos os dias da semana, mas creio que valerá a pena. O mercado já reconhece isso e tenho certeza de que a cada dia que passa, sou mais valorizado na minha área. Não é fácil trabalhar 8 horas por dia e estudar mais 4 horas, mas é um esforço necessário e compensatório.

 Eventuel: Quais foram suas motivações ou influências para fazer um TCC na área esportiva?

Pre: Sempre fui apaixonado pela área esportiva. Desde pequeno vou a estádios de futebol, ginásios e etc. Sempre tive muito incentivo e companhia de meu pai. Porém, na faculdade nunca tinha pensado em nada na área até o segundo ano, quando na disciplina de marketing achei esse nicho de mercado e comecei a me entusiasmar. Já no terceiro realizei a Pesquisa de Opinião Pública voltada ao futebol profissional da cidade de Londrina, o que me fez aproximar ainda mais da área. Ao término da pesquisa eu estava decidido que iria fazer o meu TCC na área esportiva e graças a Deus, o time de handebol da cidade me deu essa oportunidade.

 Eventuel: Antes do TCC, você teve algum contato com o marketing esportivo?

Pre: Trabalho não. Tive contato na parte da pesquisa de opinião pública na parte de patrocínios e etc. Coisa pouca, mas o suficiente para saber que ali existia um nicho para nós, profissionais de relações públicas.

 Eventuel: Você encontrou muitas dificuldades para aplicar o marketing esportivo no trabalho com a UniFil FEL/Sercomtel?

Pre: Olha, sinceramente encontrei muitas dificuldades e barreiras. A primeira é que eu queria trabalhar algo com comunicação aliado ao marketing e isso era realmente novo e pouquíssimos autores davam exemplos disso. Na prática, a direção da equipe ficou receosa com o início do trabalho, porém, com o dia a dia, eu e minhas parceiras de TCC (Pamela e Andressa) ganhávamos a confiança dos mesmos e começamos a colocar nossas idéias em prática. Tivemos dificuldades financeiras e em alguns momentos até tiramos dinheiro do próprio bolso somente para ver a “ação” ocorrer. Não me arrependo de nada e faria tudo de novo pela equipe e pelo handebol de Londrina. Dei minha vida para aquele time e o esforço foi recompensado demais. Nada apaga o que eu vivi ali durante os 10 meses do TCC. Poderia ficar horas falando sobre essa questão, chego a me emocionar de lembrar alguns fatos... que saudades.

 Eventuel: Como você classifica o mercado de trabalho desta área em Londrina?

Pre: Infelizmente o mercado em Londrina é fraco. Os clubes estão quebrados e os times de futebol não têm visão do negócio, o que é uma lástima para o esporte local. O time de handebol pertencia a uma universidade quando eu realizei o trabalho e quando estava para ser efetivado, o reitor resolveu entregar o projeto a outra universidade e esta não quis dar continuidade ao trabalho que eu havia desenvolvido ao longo do ano passado. Em outros centros como São Paulo, Rio, Belo Horizonte, Curitiba e Porto Alegre existem ofertas de emprego na área, principalmente em agências. Nos grandes clubes é difícil conseguir entrar sem ter um Q.I. (Quem Indica). O mercado tem crescido bastante e com a confirmação da Copa do Mundo no Brasil e possivelmente das Olimpíadas, o investimento no esporte deve aumentar e consequentemente, o mercado vai precisar de mais profissionais. As pessoas precisam entender que esporte é um negócio e não uma brincadeira, os clubes são empresas e devem ser administrados como tais.

 Eventuel: A utilização do esporte para promoção de produtos como celulares, roupas e acessórios está em alta. Qual outra estratégia de marketing esportivo tem se mostrado eficiente nos dias atuais?

Pre: Eu enxergo que a Petrobrás, por ser uma empresa governamental, utiliza-se do esporte e de atletas, especialmente olímpicos, para promover sua imagem e se destacar no cenário. Vocês podem perceber que o governo brasileiro tem uma clara política de valorizar o seu mandato e para isso utliza-se de empresas que representam orgulho nacional (Petrobrás) e esta, por sua vez, usa a imagem de atletas campeões, como o Robert Scheidt do iatismo.

Uma ação de marketing esportivo que tem dado certo em grandes clubes do Brasil é o sócio-torcedor. O torcedor do clube paga uma quantia X por mês e tem direito de ver a todos os jogos da equipe em casa, descontos em produtos oficiais, além de adquirir produtos exclusivos do sócio-torcedor. Essa estratégia é boa para o cliente (torcedor) e excelente para o clube, visto que ele tem uma garantia de “ingressos” vendidos e a venda de seus produtos licenciados aumenta significativamente. Quero lembrar que não é um projeto simples e nem fácil de se aplicar. Tem que se estudar o mercado e ver as possibilidades de cada clube.

 Eventuel: Você pretende seguir carreira na área do marketing esportivo ou você tem outras perspectivas para seu futuro?

Pre: Pretendo seguir a área esportiva, sim. Tenho a pretensão de, quando terminar as pós-graduações, ir para Barcelona na Espanha, Zurique na Suíça ou Vancouver no Canadá fazer o meu mestrado profissional na área. A América do Norte e a Europa estão anos luz a frente de nós na questão do marketing esportivo, então vou pra lá para aprender com eles e tentar aplicar na realidade brasileira. Tenho o sonho de trabalhar com marketing esportivo no futebol e se for possível, que seja no Boca Juniors da Argentina, meu time do coração ou no Atlético Paranaense, clube que tem uma visão de marketing esportivo mais ampla.

 

Para finalizar gostaria de agradecer o convite e dizer que estou sempre a disposição de qualquer pessoa que queira conversar mais sobre o assunto. Meu e-mail para contato é o pre_rp@hotmail.com . Um grande abraço a todos e espero ter contribuído.

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